
Após forte repercussão negativa e pressão pública imediata, o Senado italiano voltou atrás e retirou a emenda polêmica que previa a perda da cidadania italiana para cidadãos nascidos e residentes no exterior que não comprovassem proficiência em italiano nível B1.
A proposta, aprovada horas antes como parte das emendas ao Decreto-Lei 36/2025 (conhecido como Decreto Tajani), atingia em cheio descendentes de italianos cujos pais e avós também nasceram fora da Itália. Ela determinava que, sem a apresentação do certificado de idioma em até três anos, esses cidadãos – inclusive jovens de 18 a 25 anos perderiam sua cidadania.
O impacto foi imediato: parlamentares, associações e cidadãos mobilizaram-se em redes sociais, classificando a emenda como um atentado à história e dignidade dos italianos no exterior. O senador Francesco Giacobbe (PD) chamou a medida de “um ataque direto” à diáspora italiana.
Diante do risco de uma crise política e institucional, até mesmo os autores da proposta – senadores da base governista como Menia, Spinelli, Della Porta, De Priamo, Russo, Pirovano, Spelgatti, Borghese, Barcaiuolo e Rapani – decidiram retirar a emenda.
A decisão representa uma vitória significativa, ainda que temporária, para os milhões de ítalo-descendentes ao redor do mundo. Ela também demonstra a força da mobilização coletiva na defesa dos direitos históricos e culturais da comunidade italiana fora da península.
Seguimos vigilantes. O direito à cidadania italiana é legítimo, inegociável e enraizado no sangue, não na gramática.