
Autor: Paulo Padovani
Na manhã do dia 3 de maio, a Praça Cidade de Milão, em São Paulo, não foi apenas um ponto de encontro. Foi palco de um dos atos mais simbólicos que já vimos em defesa da cidadania italiana.
Desta vez, não era só um protesto.
Era o reflexo de um sentimento profundo de indignação que tomou forma em palavras, cartazes, olhares e canções.
Ítalo-brasileiros de todas as idades se reuniram, mais uma vez, para dizer o óbvio que o Decreto Tajani parece ignorar: nós temos direito. E vamos defendê-lo.
O silêncio do governo encontrou eco nas ruas
O Decreto Tajani, aprovado às pressas e sem qualquer escuta pública, tenta impor uma nova realidade para a cidadania italiana: restritiva, injusta e retroativa. Uma afronta aos descendentes que carregam, há gerações, a ligação viva com a Itália.
Enquanto o governo tenta impor silêncio e retrocesso, as praças ecoam resistência.
E a manifestação do último sábado foi um exemplo claro de que a nossa comunidade está viva, ativa e atenta.
O que vimos na manifestação
• Faixas escritas à mão por filhos e netos de italianos
• Crianças vestidas com as cores da bandeira italiana
• Senhores e senhoras emocionados com cada fala
• Profissionais da área jurídica e política reforçando o impacto das emendas
• E uma certeza compartilhada entre todos: não vamos recuar.
O ponto alto do encontro foi a leitura pública de trechos das emendas apresentadas no Senado, com forte menção àquela que pode “salvar” o direito dos descendentes: a revogação da exigência de que o ascendente tenha nascido em solo italiano.
Mais que um protesto, um marco histórico
Se o decreto foi construído nos bastidores do poder, a resposta veio à luz do dia com câmeras ligadas, vozes firmes e um único coro: “Não somos estrangeiros. Somos italianos desde que nascemos.”
A manifestação do dia 3 de maio não foi um ponto final.
Foi um lembrete.
De que o direito à cidadania italiana não é concessão. É herança.
E que nenhum decreto apagará essa origem.
A luta continua. E ela é feita em cada praça, cada voz, cada história.